As palavras criam mundos. As imagens criam mundos. Nós entendemos que ao criar e distribuir histórias e imagens sobre pessoas e eventos no mundo, não estamos simplesmente reportando o mundo, estamos participando da criação dele. Acreditamos no poder de cada um de construir um mundo novo e melhor para a humanidade.
Judy Rodgers - diretora do Imagens e Vozes de Esperança - Brahma Kumaris
sábado, 28 de setembro de 2013
rede de proteção
antes de calçar os sapatos
os bato no chão com cuidado
para tirar possíveis aranhas...
escondidas em suas trevas
nunca achei nenhuma
mas sorrio a herança de minha vó
e toda vez que o faço
sua lembrança tece em mim
esse amor com segurança
Fábio Rocha
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Que faz um autor com as pessoas vulgares, absolutamente vulgares? Como coloca-las perante seus leitores e como torna-las interessantes? É impossível deixa-las sempre fora da ficção, pois as pessoas vulgares são, em todos os momentos, a chave e o ponto essencial na corrente de assuntos humanos; se as suprimimos, perdemos toda a probabilidade de verdade.
Tenho medo de ver-te necessidade de ver-te esperança de ver-te insipidezes de ver-te
tenho ganas de encontrar-te preocupação de encontrar-te certeza de encontrar-te pobres dúvidas de encontrar-te
tenho urgência de ouvir-te alegria de ouvir-te boa sorte de ouvir-te e temores de ouvir-te
ou seja resumindo estou danado e radiante talvez mais o primeiro que o segundo e também vice-versa.
Mario Benedetti
domingo, 22 de setembro de 2013
Só que ao vê-lo ali, na sacada, olhando para a noite com um vasto sentimento de ausência, senti que minha primeira impressão, como toda primeira impressão, era falsa. Mais ainda: eu difamava este homem; o difamava porque me atrevia a caracterizá-lo sem conhecê-lo. Deduzia de alguns sinais externos o que o homem interno era.
Carlos Fuentes em: "Federico em sua Sacada"
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
sábado, 14 de setembro de 2013
Somos todos mortais até o primeiro beijo e a segunda taça de vinho.
Lo lleva atado al pie, como una luna atada al flanco de un jinete,
lo juega sin saber que juega el sentimiento de una muchedumbre,
y le pega tan suave, tan corto, tan bello,
que el balón es palomo de comba en el vuelo,
y lo toca tan justo, tan leve, tan quedo,
que lo limpia de barro y lo cuelga del cielo,
¡y se estremece la gente, y lo ovaciona la gente!
Lo lleva unido al pie, como un equilibrista unido va a la muerte,
lo esconde -no se ve-, le infunde magia y vida y luego lo devuelve,
y se escapa, lo engaña, lo deja, lo quiere,
y el balón le persigue, le cela, le hiere,
y se juntan y danzan y grita la gente,
y se abrazan y ruedan por entre las redes,
¡y se estremece la gente, y lo ovaciona la gente!
¿Quién se llevó de pronto la multitud?
¿Quién le robó de pronto la juventud?
¿Quién le quitó de un golpe el hechizo mágico del balón?
¿Quién le enredó en la sombra la pierna, el flanco y el corazón?
¿Quién le llenó su copa en la soledad?
¿Quién lo empujó de golpe a la realidad?
¿Quién lo volvió al suburbio penoso y turbio de la niñez?
¿Quién le gritó en la cara: -Usted no es nada, ya no es usted?
El último balón lo para con el pecho y junto al pie lo duerme,
lo mira y sólo ve cenizas del amor que estremeció a la gente,
y lo pierde en la hierba, lo deja, lo olvida,
no lo quiere, le teme, no puede, no atina,
y se siente de nuevo enterrado en la vida,
y el balón se le escapa entre insultos y risas,
¡y se enfurece la gente, y le abuchea la gente!
¿Quién se llevó de pronto la multitud?
¿Quién le robó de pronto la juventud?
¿Quién le quitó de un golpe el hechizo mágico del balón?
¿Quién le enredó en la sombra la pierna, el flanco y el corazón?
¿Quién le llenó su copa en la soledad?
¿Quién lo empujó de golpe a la realidad?
¿Quién lo volvió al suburbio penoso y turbio de la niñez?
¿Quién le gritó en la cara: -Usted no es nada, ya no es usted?
Ya no es usted señor, ya no es usted…
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Tempo sem tempo
Preciso tempo, necessito esse tempo que outros deixam abandonado por que lhes sobra ou já não sabem o que fazer com ele
tempo em branco em vermelho em verde até castanho-escuro não me importa a cor cândido tempo que eu possa abrir e fechar como uma porta
tempo para olhar uma árvore, um farol para andar pelo fio do descanso para pensar que bom hoje não é inverno para morrer um pouco e nascer em seguida e para me dar conta e para me dar corda preciso tempo, o necessário para chafurdar umas horas na vida e para investigar por que estou triste e acostumar-me ao meu esqueleto antigo
tempo para esconder-me no canto de algum galo e para reaparecer em um relincho e para estar em dia e para estar na noite tempo sem recato e sem relógio
vale dizer preciso ou seja necessito digamos me faz falta tempo sem tempo
Mario Benedetti
sábado, 24 de agosto de 2013
Gustavo tinha dito a ele: há tantas coisas que você vai ter que descobrir, Tavito. As coisas invisíveis, as difíceis, a brecha que espera por você entre o desejo e o mundo: você apertará os dentes, resistirá, nunca pedirá nada. Não, não se vive para vencer os outros, Tavito. Vive-se para se dar.
Eduardo Galeano. O desejo e o mundo, em Vagamundo.